Sábado, 25 de agosto de 2007 (daqui a quatro meses será o Natal)
2007, um ano não muito contente. Muitas separações, algumas para sempre. Famílias perderam seus entes queridos em tragédias estúpidas: o menino no Rio, o metrô em São Paulo , os aviões que se chocaram no ar, o avião que não conseguiu parar, a ponte nos Estados Unidos. A dor, a saudade, a separação, o que foi e o que fica no coração. Emoção!
Alguns passaram tristezas, e agora alegrias. Há sempre em algum lugar um sorriso contente, e também há sempre, em algum lugar, lágrimas a cair. Outros continuam sós e sozinhos. Alguns amaram, se machucaram, choraram, deixaram de amar e voltaram a amar: são felizes! Outros, amaram, machucaram e foram machucados, e, ainda que distantes, continuam amando. Se desapegar é difícil..., mas às vezes, necessário.
2007, um ano triste para mim, e ele ainda nem acabou. Resta-me ainda uma felicidade branda, serena... de ver as pessoas que eu amo felizes, prosperando, amando, ainda que não me amem, dando certo na vida! Ainda que para mim..., tudo, ainda que diferente, mudado, continue o mesmo. De certa forma, nem subir, nem descer: estar na mesma! Na mesma mesmice talvez, ainda que diferente e mudado, ainda que tenha aprendido mais e... sentido mais, e apenas isso – que é muito. Sem ter um largo sorriso no rosto e o brilho que as crianças carregam nos olhos.
Estou em casa sozinho, numa noite de sábado. Hoje não tem balada. Hoje não tem nada – com o muito que tenho. Apenas eu, meu coração com os sentimentos neles..., a caneta, a tinta, o papel, o silêncio no quarto, a mão a correr rápido sobre o caderno na cama, descuidada da caligrafia, e o vazio... apenas o vazio: Um vazio cheio, quieto, sereno e conformadamente contemplativo, só que pra dentro.
2007, esperei tanta coisa! Hoje espero coisa alguma a mim mesmo, exceto aquilo que sei que é certo aos outros; seja um pouco de sucesso, felicidade, amor e fama, seja outra coisa. A mim, gostaria que as estrelas me dissessem à noite, “você ainda está no coração de alguém” e que quando amanhecesse o sol me sorrisse com um “bom dia, toda a felicidade do mundo a você”. Mas, idealizações são apenas idéias.
2007 ainda tem quatro meses companheiros, eu tenho minha família, uns amigos que amo, mesmo que distantes, e pessoas que não são minhas amigas, não querem ser, mas eu amo mesmo assim. E além disso? Tenho o vazio, a saudade, um certa melancolia e a poesia – que ainda me resta na minha prosa. Talvez seja eu um eterno romântico..., mas não destes destinados a serem a felizes – a não ser nos poucos momentos em que dou umas largas e sinceras gargalhadas.
2007, talvez o afastamento para sempre, a perca para sempre...
Mas, desapegar é preciso, e tão difícil!
2007, eu e a solidão, ainda que acompanhada.
Queria ter meus amigos juntos de mim, o brilho que as crianças têm nos olhos, manter o enxergar de poeta, ter sempre companhia para dividir gargalhadas, mas também para me ouvirem... enquanto choro ou digo coisas que parecem sem sentido – eu também os ouviria. Queria sempre manter um sorriso jovial estampado no rosto, mas, uma hora, ele sempre se vai.
2007! Pensei que seria feliz para sempre, mas não fui... para sempre.
Rápido e intenso! Forte e marcante! E apenas isso, ou tudo isso: o todo, o tudo... para sempre... na memória, talvez no coração.
Queria ter meus amigos sempre juntos de mim, recuperar a fé e quem sabe encontrar a Deus. Por enquanto? Apenas não entendo as coisas direito ainda, mas estou tentando aprender; aceitar talvez seja um primeiro passo.
Que inveja tenho de todos os miseráveis que passam fome e ainda rezam! Têm fé, têm esperança... como as tive na infância. Talvez em algum lugar, um grupo de pessoas, podem ser amigos, podem ser uma família, podem ser namorados, ou pessoas que acabaram de se conhecer, estejam se abraçando agora... E tudo isso é bonito! Tudo isso é lindo! E os corações se entrelaçam. Talvez haja sorrisos e gargalhadas no ar. Eu permaneço sozinho, e o silêncio grita tanto, que poderia até ensurdecer... Eu apenas escrevo. Apenas escrevo... e escrevo.
Meu maior desejo era ter uma companhia, ainda que dormindo um pouco longe, mas que tivesse me ligado a noite apenas para eu ouvir sua doce voz e meu coração se acalmar batendo forte. Mas eu? Eu tenho amor, mas não tenho um amor. Este é o meu maior sonho! E 2007 levou... Talvez o vento traga um outro. Até lá, espero.
Texto de: Francisco Maximiano da Silva (todos os direitos reservados).
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
12:45 PM